Quem é essa menina
Sentada na sala de pernas pro alto
Coçando o nariz
Ela age normal
Ela fala formal
Ela sente demais
E des-sente tão mais
Como ela mudou
Chorosa a tão pouco
Formosa de novo
Só porque ela acha que assim pode estar
Quem é essa menina
Causando arrepios
Em tão pouco tempo
Às vezes vazios
E pensa bem alto
Consente tão rápido
Que pode escapar
De seus pensamentos
Alguns sentimentos
Medrosos
Furiosos
Sem querer despertar
Repensa a vida
Esquece as feridas
Relembra-as de vez
Perguntam mudança
É sem esperança?
E se perguntam mudar?
Ceder e não ser cedido
Reciprocidade sem ser recíproco
Quem é essa mulher
Que pensa em trabalho
Repensa um hábito
Abraça seus sonhos
Descansa um sono
Não quer acordar
E essa mulher
Cansada, indisposta
A mesma revolta
De sempre uma aposta
Em tempos, as cartas
Em outros, as fichas
Mas volta-se o círculo
E mais uma volta
E mais duas voltas
Três voltas no pescoço
Tendência a orar
Olhar um olhar
Sentir um sentir
Entender um compreender
É essa menina
Que vira mulher
E vai ser senhora
De si, de si própria
Assim são as curvas
De uma escultura
Moldada aos poucos
Perfeita aos olhos
De quem enxergar
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